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Johannesburgo Soweto África do Sul
Soweto, o símbolo da resistência ao apartheid é um
subúrbio criado para isolar população negra na África do Sul vira
atração turística. O lugar é simples e seria só mais um subúrbio com
problemas de infra-estrutura e violência como tantos outros localizados
em grandes cidades do mundo. Mas quis a história que Soweto - sigla para
South Western Township (Município Sudoeste), um grande subúrbio a 15
quilômetros de Johannesburgo criado para abrigar a população negra e
mantê-la isolada das áreas brancas - fosse o símbolo maior da
resistência sul-africana ao apartheid ("separação" em
africâner, língua oriunda do holandês do século 17, falada pelos
sul-africanos brancos).
Esse regime de segregação racial tirou dos negros que
viviam em sua própria terra, por mais de quatro décadas, direitos
básicos como o de circular pelos centros urbanos e de se casar com
pessoas de outras raças.
No número 8.115 da Vilakasi Street, em Orlando West,
por exemplo, viveu, antes de ser preso e condenado à prisão perpétua -
revogada em 1990 -, um certo Nelson Mandela, que o mundo viria a conhecer
como o principal líder de oposição à política racista imposta pela
minoria branca. Na pequena casa onde ele viveu com sua segunda mulher,
Winnie, e as duas filhas dela, funciona hoje o Museu Família Mandela, que
guarda pinturas e fotografias da família, além de uma coleção de
placas e doutoramentos honorários entregues a Mandela por universidades e
instituições de todo o mundo. Também podem ser vistos objetos pessoais
desse homem que é mais que um líder na África do Sul, como muitas de
suas velhas botas.
Na mesma rua fica a casa de outro nome importante do
movimento negro: o arcebispo Desmond Tutu, que ganhou o Nobel da Paz em
1984. Quando vêem turistas chegando e sacando suas máquinas
fotográficas, os orgulhosos vizinhos já tratam de informar que a rua
detém o recorde dessa categoria do Nobel - além do prêmio entregue a
Tutu, Mandela recebeu-o em 1993, antes de ser eleito presidente nas
primeiras eleições multirraciais do país, realizadas em 1994.
A poucos quarteirões das casas de Tutu e Mandela, na
Kumalo Street, está o Museu e Memorial Hector Pieterson, que dá um nó
na garganta, mas cuja visita é imprescindível para quem quer mergulhar
no evento que marcou o começo do enfraquecimento do apartheid.
Hector Pieterson era um garoto de 12 anos que, em 16 de
junho de 1976 - data em que hoje se comemora o Dia da Juventude na África
do Sul -, saiu às ruas para protestar contra a decisão do governo que
obrigava os negros a terem aulas somente em africâner. Durante o
protesto, o estudante foi baleado e morreu. O fato ganhou destaque mundial
com as fotos de Sam Nzima. A mais famosa delas é a que a vítima aparece
sendo carregada pelo estudante Mbuyisa Makhubo, que tem a seu lado a irmã
de Pieterson, Antoinette Sithole. Ela trabalha no museu, localizado a dois
quarteirões de onde ocorreu o fatídico disparo.
À mostra estão cenas dos duros e cruéis anos de
apartheid, depoimentos em vídeo e salas como a Registro de Morte que
lembra os nomes de centenas de crianças e jovens que morreram em
confrontos com a polícia entre junho de 1976 e o fim de 1977. Em algumas
janelas do museu, há legendas sobre o que se vê a partir dali, como a
Usina de Orlando que, localizada em Soweto, gerava energia para os brancos
em Johannesburgo, enquanto a própria região não tinha luz.
Até na hora de comer ou petiscar o turista vai
encontrar histórias de resistência em Soweto. Um exemplo é o Wandie's
Place, na Makhalamele Street, hoje um restaurante legalizado, mas que nos
anos 1980 foi um famoso shebeen, ou seja, um bar clandestino, já que aos
negros de Soweto eram proibidos o consumo de bebida alcoólica e o
entretenimento. O simpático estabelecimento - montado numa casa simples e
que mostra como negros e brancos já freqüentam os mesmos lugares sem
problemas - serve pratos típicos, saladas e um bufê com carnes.
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